quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tormenta



Em tempos difíceis o coração esmorece, parece querer parar de bater...
Mas não choro...
A dor física é mais aceitável, mais definida, com data e hora certas de partida e o choro vem na explosão, incontrolável...
A dor de dentro, parece sufocar, prende à garganta, se não explodir naquele momento, outro dia ela virá incansavelmente mais forte, persistente, exigindo lágrimas. Vem devastadora, querendo doer muito mais do que antes...
E se inevitavelmente choro é porque primeiro acreditei na vitória. Se uma outra saída se mostra possível, me antecipo e guardo o choro pra mais tarde, pra bem mais tarde... Me responsabilizando pelas conseqüências... Assumindo os erros... Reparando os danos... Evitando déjavus...
O choro reprimido incontestavelmente virá com gosto de derrota, uma derrota adiada, mas sem resquícios de arrependimentos, de ânsia de tentar, de apostar todas as fichas, de esgotar todas as chances enquanto não se ouvir o sinal de Game Over.
O choro antecipado parece ter gosto de entrega, de desistência, de fracasso...
Insisto em adiar o choro porque o gosto de se entregar pode ser mil vezes mais amargo do que o choro imediato mesmo que o primeiro seja conseqüência da derrota.
As oportunidades são preciosas, mas às vezes exigem preparo, maturidade...
Não tenho certeza de muitas coisas, na verdade não tenho certeza de nada!
Mas às vezes é bom acreditar que tudo tem seu tempo e principalmente tem suas razões de acontecerem...


Aline Monteiro

“Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar”

(Carlos Drummond de Andrade)


“Se puderes dançar pelo ar também as estrelas poderão te abraçar
não continue agarrada em tuas dores elas não sabem dançar”
(Marilina Ross)


Drummond também acumulava os choros e Marilina Ross de uma maneira simples colocava as dores em uma caixinha para que elas não a impedissem de dançar... Há momentos em que o riso é mais útil que uma lágrima e mesmo não sabendo dançar, posso ouvir uma canção alegre, revigorante que seduza, que me envolva, que me provoque... Prender-se a dores é correr o risco de que elas criem raízes e permaneçam para sempre em seu coração, fechando portas para outros sentimentos, outras emoções, alegrias e até mesmo novas dores... Que se erre o passo da dança, que não se perca tempo se lamentando por isso e que o tempo para o choro seja o mais breve possível... (Aline Monteiro)

6 comentários:

Aline Monteiro disse...

Algumas pessoas me perguntaram se além de poemas eu escrevia contos ou crônicas, acho que me acostumei com a forma do poema e acabei me prendendo a ele. Mas hoje me permiti fugir dele, apesar de achar que um texto meu escrito de outra forma não me satisfaz como a forma do poema. Mas o resultado está aí. O que acharam?

Cris disse...

"Quando tudo está perdido sempre existe um caminho...mas não me diga isso... hj a tristeza não é passageira... e quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima"

Texto cheio...

Estarei sempre que precisares do teu lado e quando não precisares tbm.. embora eu saia de vez em quando pra passear nos corpos alheios ihihihi
bjo.

A chuva estrondosa, o vento silencioso... disse...

Mais um texto cheio de beleza e sentimentos.
Honestamente, minha cara Aline Monteiro, no dia em que eu souber escrever pelo menos a metade do que você escreve, ou pelo menos souber usar tanto assim meus sentimentos, me sentirei a melhor escritora deste mundo.
Seus textos são perfeitos, pois a beleza que sai deles vem dos verdadeiros sentimentos que expressos em suas palavras.
Minha opinião é simples: você é perfeita com as palavras.
E o resto?
-É o resto!

Rá. Stèphanie disse...

Indiquei seu blog em um selo. Passa lá no Histórias de Amor para recebê-lo ^^
Beijos.

Rá. Stèphanie disse...

Mais três selos ;D

Rá. Stèphanie disse...

Mais seis selos.