quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Rascunho



Gosto das tuas mãos
Se perto... sobre minhas pernas repousando...
Se longe... olhá-las me basta
Gosto de olhar teu rosto de perto
Sorrindo displicentemente
De alguma coisa que digo
Intencionalmente para esse único fim...
Gosto das nossas conversas
ocasionais
Que terminam em coisa alguma...
gosto do teu jeito calmo
sem os vícios herdados de outras pessoas
sem contratos, sem amarras...
gosto da tua promessa
sem cara de consolo
que eu espero sem problemas...
Gosto quando o destino
me dá esse presente
de te encontrar...

                                                                       Aline Monteiro


“Eu procurei no escuro
Alguém com seu carinho...”
(Poema – Cazuza)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Estado de Espírito



Luz apagada
Olhos acesos!

                                                      Aline Monteiro


“Sou sua noite, sou seu quarto
Se você quiser dormir
Eu me despeço
Eu em pedaços
Como um silêncio ao contrário
Sou eu o seu paradeiro
Em uns versos que eu escrevo
Depois rasgo”

(Uns versos - Adriana Calcanhotto)

domingo, 25 de novembro de 2012

Sobre A Chuva



Fugia da chuva
Como quem fugia da vida...

                                                              Aline Monteiro



“Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem moscas nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.”
(Manoel da Barros)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Poema de Verdade



Um poema de verdade
Não nasce pronto
Ele pode andar passo a passo
a teu lado
Colado à tua sombra
Sentir tuas dores
Sorrir teus sorrisos
Mas se não estiveres pronto
Não conseguirás enxergá-lo
Vê-lo nascer pela manhã,
Amadurecer ao cair da noite,
Nem morrer ao fim do dia...

                                                             Aline Monteiro


“Teu coração ouve brotar a primavera
Que, como tu, irão soprando os ventos.”
                                        (Victor Jara)

Trilha Sonora




...e de repente a música voltou a tocar...


                                                 Aline Monteiro




“Pra ser melhor tem que acontecer de novo em outra vida”
(Se eu chorar – Jorge e Mateus)

sábado, 17 de novembro de 2012

Sobre o que fui




Me perdi de mim
Não encontro o passarinho, a palmeira, o pôr-do-sol...
Apenas muros, caixas d’água e antenas de tv...


                                                                           Aline Monteiro



“Fingi que sabia usar arco e flecha, dar tiro. Construí muros, alcancei navalhas. Mas o coração cansou de mentir e me jogou no chão com força”
(Nei Duclós)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Hipermodernidade




Eu não te curto mais...


                                                            Aline Monteiro



“Comer o bolo e ao mesmo tempo observá-lo, desfrutar das doces delícias de um relacionamento evitando, simultaneamente, seus momentos mais amargos e penosos; forçar uma relação a permitir sem desautorizar, possibilitar sem invalidar, satisfazer sem oprimir...”
(Amor Líquido – Zygmunt Bauman)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tratamento



Você é distante
Tu é perto, quase dentro...

                                                       Aline Monteiro


“Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Botaram poesia
Na bagunça do dia-a-dia...”
(Assaltaram a gramática – Lulu Santos)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Horizonte



A palavra livremente
Se entrega a ti
Porque sabes domá-la.
Sobre tuas ideias
Me debruço
E em silêncio
As escuto
Fazendo surgir em mim o que
Há muito
Se apagava
Em sonhos perdidos, diluídos...
Agora os sigo
Acompanhada pela
mansidão
Dos teus passos alados...

                                                                   Aline Monteiro


“Eu cantaria a tua luz...”
(O verme e a estrela - Adriana Calcanhoto)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sobre a solidão

                                                                                    Foto de Raule Assunção


Nunca me sinto só
Sou sempre eu e esta
Vontade de escrever
Combustível
Que me acende as retinas.

Nunca estou só
Porque és
A primeira página
Do livro de minha vida
És não a inspiração
De um poema
Mas as vírgulas que o cadenciam,
És o ritmo em meus versos...

Nunca estarei só
De olhares úmidos ou encharcados
De coração acelerado e descompassado
Me faz companhia o nascimento da palavra...

                                                                               Aline Monteiro


"Nem sei porquê te amo
se algumas perguntas não cabem
e foges às respostas
com versos imensos
do tamanho dessa nossa solidão..."

(Alex Rodrigues) 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O leão e a escada



Sobe os teus degraus
Mata teu leão por dia
Ouve o silêncio
De todo pôr-do-sol
E deixa a paz caber em teu coração...

                                                                   Aline Monteiro


“Você não sabe o quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas
Antes de dormir
Eu não cochilei
Os mais belos montes escalei...”
(A estrada – Cidade Negra)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Paisagem



Paisagem
São teus olhos
Cor de infinito
Olhar labirinto
De perder os sentidos...

                                                                        Aline Monteiro

“Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir...
Fico à vontade, então!”
(Um certo alguém – Lulu Santos)

sábado, 25 de agosto de 2012

Fotografia

                                       Simone e meu primo Marcelo Monteiro


O amor é um colo
Quente e macio
Fazendo pose
Na fotografia...

                                              Aline Monteiro


“Não há maior verdade do que a delicadeza”
(Carpinejar)


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sobre a poesia

                                                                 Foto: Aline Monteiro


A poesia diz
Quando a voz tímida desaparece...
E ampara as lágrimas,
Abraça forte,
Faz repousar...
A poesia quando diz
Não é a flor nem o espinho
É raiz que precisamos desenterrar
É o fruto no topo da árvore mais alta
É a folha seca nutrindo a terra...

                                                           Aline Monteiro


“Poesia não é para compreender mas para incorporar
Entender é parede: procure ser árvore”
(Manoel de Barros)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Despedida

                                                                                   Rio Amazonas. Foto: Aline Monteiro

Te digo adeus todos os dias
Mas a maré
Sempre
Me devolve tuas lembranças...

                                                          Aline Monteiro


“Cuida do teu
Pra que ninguém te jogue no chão
Procure dividir-se em alguém
Procure-me em qualquer confusão
Levanta e te sustenta
E não pensa que eu fui por não te amar”

(Adeus você – Los Hermanos)

sábado, 4 de agosto de 2012

Arrepio



A saudade me desmonta
Por completa...
Mas que seria de mim
Sem a pequena lembrança
Do teu toque leve
Me fazendo arrepios...

                                         Aline Monteiro


“Eu queria deixar arrepios
Em todo seu corpo
E passar a noite
Lendo em braile”
(Ivan Santos, blog Amor de papelão – amordepapelao.blogspot.com)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Farsa



Desviei o olhar
Enxuguei o suor
Disfarcei o nervosismo
Menti um poema

                                                  Aline Monteiro


“O que se perdeu foi pouco.
Mas era o que eu mais amava.”
(Sofrimento - Henriqueta Lisboa)

Sobre o mar



Será com o mar
O melhor encontro
Um caso de amor,
Amor de verdade
De arrepiar a pele
De fechar os olhos...
Amor em azul,
Amor em preto e branco...
Será com o mar
O melhor encontro...


                                                   Aline Monteiro


“...e eu vou embora
Sem mais feridas
Sem despedidas
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar...”
(Música – Vanessa da Mata)


Na foto, meu primo Marcos Rafael Monteiro

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Inês-Macabéa-Saraminda-Gabriela ou simplesmente Cris



Ela já foi Inês Pereira, Macabéa, Saraminda, Gabriela... Claro que tudo isso não passa de uma gostosa brincadeira entre as pessoas que a conhecem, mas a verdade é que ela tem um pouco ou muito dessas personagens, a ambição e audácia de Inês, o erotismo de Saraminda, sonhadora como Macabéa, graciosa e encantadora como Gabriela... Sem dúvida alguma Cris é múltipla e imprevisível, espontânea! Nada de ensaios! Até porque simplesmente não servem para nada, pura perda tempo... Sua especialidade é mudar o roteiro, colorir e enfeitar de modo que tudo fique mais leve e divertido!
E assim ela segue natural e sem ensaios, sem máscaras... Carregando o que há de mais importante e original: seus SENTIMENTOS! Mas nada que a impeça de uma vez ou outra (ultimamente sempre!) andar por aí escandalosamente LINDA, sobre um salto que a deixe (como ela mesma diz) dois dedos mais bonita! Mas de verdade? Sabemos que ela não precisa de nada disso, é IRRESISTÍVEL mesmo com os pés no chão, o cabelo ao vento e com a roupa mais confortável do mundo. Cris nos ensina a todo momento: a BELEZA vem de dentro! Ensinou-me que pessoas bonitas são verdadeiramente bonitas quando primeiramente se sentem bonitas (ela me ensinou a ser bonita, sim a gente aprende a ser belo!), pessoas bonitas encantam no olhar, não com uma roupa ou um sapato (meros detalhes...), pessoas bonitas te fazem sorrir, pessoas bonitas te fazem se sentir bem. São agradáveis, divertidas e inteligentes...
 Cris se tornou minha amiga, minha melhor amiga porque parece me conhecer mais que eu mesma, mas conhecer de assustar, a tal ponto que parece ler a minha mente, sonhar os meus sonhos e sentir os meus medos, Cris é minha amiga porque é, ao mesmo tempo, meu oposto e a minha metade, é a parte que me falta, é a parte que me transborda... Cris é o lugar que me encontro e que me reconheço, Cris é o pôr-do-sol que gostamos de admirar, é o almoço rápido e prático que ela se orgulha de saber fazer (e que eu adoro!), Cris é a aquela música antiga que nos remete boas lembranças é o poema que discutimos despretensiosamente, o filme que lagrimamos ao assistir juntas, o passeio de fim de tarde, o sorvete da boca da noite, as festas... E principalmente as longas e proveitosas conversas sobre o pôr-do-sol, o almoço, a música, o poema, o filme, o passeio, o sorvete, as festas, a chuva, o calor, o frio, a saudade, o sonho...
Cris está em meus gestos, na minha fala, em minhas lembranças, em minhas fotos, em meus diálogos, em meus textos, em meus poemas... Cris é o meu espelho, a minha alegria, o meu sorriso “gargalhático”, Cris é minha fonte de inspiração...
Cris tem e sempre terá a pluralidade dos personagens dos grandes e pequenos romances, do nosso cotidiano, do nosso imaginário secreto ou escancarado porque ELA é o próprio romance, inventado ou não, de final feliz ou incerto... Mas sem dúvida nenhuma sempre SURPREENDENTE!

Aline Monteiro
(Aprendiz da tua beleza)


             “... sem ela não há beleza...”
(Chega de saudade – Paulinho da Viola)

Entre Mim e Ela



Entre mim e Ela
Um rio...
Mas não é um rio
Que separa margens,
Que cria distâncias
Ou que alimenta saudades...
É um rio muito bonito
De todas as cores
De todas as flores
De risos mil
E de lágrimas bem
Mas bem passageiras...
É um rio que me alimenta,
É onde pesco histórias
As dela, as minhas
E as nossas histórias
De batalhas, de perdas, de dor,
De amor e amizade...
De conquistas e vitórias
De sonhos e alegrias...
Entre mim e Ela
Um rio...
Mas não é um rio
De cartas de adeus
Não é um rio de despedidas
Mas um rio de Diálogos
Conversas logo pela manhã,
Confissões antes de dormir,
É um rio de cumplicidades...
Entre mim e Ela
Há um rio
Um rio que me faz navegar
Nas doces águas da poesia
Nas ondas extravagantes da felicidade
E na imensidão de sua alegria...
Entre mim e Ela
Há um rio...

                                                                       Aline Monteiro


“Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar...”
(Foi um rio que passou em minha vida – Paulinho da Viola)

Cris rima com feliz, feliz aniversário! Je t’aime, mon mie! (porque sou fina também srsr)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Palavra nua




Gosto da palavra nua
Que sabe sentir o frio
De uma noite chuvosa...

Gosto da palavra poliglota
Que entende
A linguagem das ruas...

Gosto da palavra viandante
Que não se conforma
Em morrer dentro dos livros...

Gosto da palavra que fala
Às artérias do meu coração
Gosto da palavra
Que conduz sutilmente
Lágrimas minhas...

Gosto da palavra que pede licença
Que diz bom dia
Que suaviza circunstâncias
Que resolve conflitos...

Gosto da palavra redundante
Da palavra que erra a caligrafia
Que mata a gramática
Para fazer viver neologismos
Gosto de palavras inventadas...


Gosto da palavra que sorri
Que dialoga
Que divaga
Que enlouquece...

Para meu fim de tarde
Para o cair da noite
Quero a nudez das palavras...

                                                                   Aline Monteiro


“Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro,
Envergá-las pro chão, corrompê-las, -
Até que padeçam de mim e me sujem de branco”.
(Manoel de Barros)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Habilidade



Abram as janelas
Deixem entrar os livros
Teletransportados pelo vento...
Palavras tem asas
E sabem voar...

                                                      Aline Monteiro


“A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc, etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas”.
(Manoel de Barros – de “O livro Retrato do artista quando coisa”)