terça-feira, 29 de junho de 2010

Pó de Giz


Toca o sinal.
A sala em segundos se esvazia.
o silêncio enfim se deita sobre as mesas e cadeiras
Tristes e também vazias.

Enquanto isso, o pó de giz passeia
Vagarosamente pelo ar.
Inevitavelmente ele encontrará
O chão sujo e depredado.

Em pouco tempo o pó de giz
Irá se misturar à sujeira e
Perderá sua cor e leveza.

O dia se renova, ele sempre se reinventa.
E eu continuo a observar a mesma sala,
o memso vazio, a mesma tristeza...

Aline Monteiro

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Segredos



Entre todas as formas de se ver
Escolhi todas.
Sem pressa, quero te ler.
Demasiadamente devagar...
E se houver erros, que sejam conscientes,
Desprendidos de quaisquer desculpas,
De todas as culpas...
Não acredito em acertos,
Confio na minha vontade.
Nessa vontade estranha de te ver...
Detesto a ideia de recomeçar...
Que a ansiedade não ultrapasse etapas,
Que não planeje antes de tentar...
Detesto a palavra tentar,
Essa tragédia anunciada.
Que forma curiosa de gostar,
Um receio bizarro de te decepcionar,
Um medo que não me saibas ler...
E uma vontade louca
De me prender em ti...

Aline Monteiro

sábado, 29 de maio de 2010

7Vidas



Quero sentir minha solidão em paz,
Quero silêncio!
Ao ponto de ouvir minha respiração
E me encontrar em qualquer lugar que seja,
Em qualquer fantasia que insisti usar,
Que ousei vestir...
Às vezes, qualquer sopro de vento
muda a minha direção
E me deixa tão distante
de onde acreditei estar perto.
Quero silêncio...
Para descobrir qual a dor mais urgente
E talvez achar a cura.
As coisas que gosto ainda me tocam.
Me comovo com o vidro embaçado da chuva
Quase que consigo evitar a vontade
de desenhar no vidro.
Levanto a mão para apoiá-la contra o vidro,
Olho fixamente e apenas abro
Um pequeno espaço para ver a rua e os carros passando.
A minha decepção em pegar a chuva repentina
Não foi por me atrasar
Mas por não poder continuar me molhando...
Ainda penso em ir embora
Mas espero que alguém me peça pra ficar...
É tão pouco o que quero
Que dispensaria as flores.
Se entregar, às vezes, parece tão mais simples.
Quantas vidas ainda me restam?

Aline Monteiro

sábado, 24 de abril de 2010

Qui Je suis



Il y a quelqu'un qui dit
que je n'exite pas.
Par fois c'est vrais!

Parce que quand il explore
Mon fer, mon manganèse
Pour lui j'existe!

Quand il devaste
Ma bois, ma vegetation
Pour lui j'existe!

Quand il chasse
Mes oiseaux, mes poissons
Pour lui j'existe!

Mais quand je veux
Lui raconter mon histoire
Il ne m'écoute pas.

Quand je veux lui montrer
L'essence de mon âme
Il ne me voit pas.

Mais je sais que j'existe
Quand je sens la douce brise
Qui vient d'un rivière magique.

Je sais que j'existe
Quand jécoute les battues
d'anciens tambours...

je suis sûr que j'existe
Parce qu'un ce moment il y a
quelqu'un qui peut m'écouter ici!

Aline Monteiro

(para ver a tradução dos poemas em francês, clicar em "fantasias")




quarta-feira, 7 de abril de 2010


Medo?
Só do tempo...
Devorador de tudo,
Talvez de todos.
Um certo pavor
Do eterno demorar muito tempo
Ou não durar um segundo...

Aline Monteiro

segunda-feira, 22 de março de 2010

Percepções



Já aprendi
A não pedir desculpas
Quando não preciso.
Sem deixar de ser educada.

Renovo-me a cada manhã
Para viver transformações,
Passear em novidades.
Sem perder minha essência.

Já sei ler tudo
 O que não está escrito,
O que não foi dito.
Não leio mentes, leio emoções!

Entendi que perdoar
É dez mil vezes mais
Que duas ou três palavras.
Perdoar alguém é perdoar a si próprio.

Controlo a ansiedade.
Aprendi a respirar fundo
Para não errar de novo...
Nem sempre funciona.

Não me abato com coisas pequenas.
Adoro detalhes, sei do que gosto:
Um olhar, um beijinho jogado no ar,
Um sorrisinho teu...

Sei também do que não gosto:
Sentir medo, perder tempo,
Esperar explicações, explicação demais...
Ser desapontada, desapontar alguém...
Ser o que não sei ser, ser o que não sou.

Sei bem o que preciso fazer para estar bem:
Prestar atenção nos outros,
Cuidar da minha família,
Ligar para os amigos,
Amar-te sem medidas, nunca pela metade...
Cuidar um pouquinho do que eu como,
Tentar dormir cedo, amando a madrugada...

Sei muito bem do que não preciso:
Fazer o que não gosto,
Ir aonde não preciso ir,
Estar com quem não preciso estar,
Dizer o que não preciso dizer,
Sentir o que eu não sinto...

Já sei que não tenho muita coisa a dizer,
Mas preciso dizer o que eu sinto...

Aline Monteiro

sábado, 6 de março de 2010

Armadura



Se te pareço dura, às vezes,
Não é pra ser...
Simplesmente me defendo.
Às vezes até do que não preciso.
Mas o faço pra não perder o costume
Será que você me entende?
Não preciso que ninguém fale por mim
Muito menos que sinta o que eu sinto.
A menos que eu permita.

AlineMonteiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Asas



Hoje eu quero ter asas
Para ir além do longe
Não vou perder pra ninguém
Se hoje eu for embora...

Hoje eu quero perder a memória
Para me perder
Quero esquecer tudo o que ouvi
Hoje eu quero me dar uma chance!

Hoje eu quero ganhar
O que realmente mereço
Não quero restos
Hoje só quero o que é meu.

Hoje eu queria apenas voar
E ver as coisas do alto...
Queimando...
Mas eu ainda não tenho asas...

Aline Monteiro



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval II



De um lado é festa e encanto
Alegria que cega.
Na letra do samba sonhos distantes:
Glória ao passado e esperança ao futuro!
Do outro lado a fantasia é real
Sem disfarce!
A marchinha de uma
Palavra só se aprende
Desde pequeno:
Moeda, Moeda...
Em frente à TV
O carnaval me convida a fechar os olhos
Afinal de contas é carnaval!
Mas em meu ouvido ecoa
Um refrão inconveniente:
MOEDA! MOEDA!
Na quarta os restos de lixo na avenida
Ainda não viraram cinzas
A marchinha continua
A me pedir muito mais que moedas!

Aline Monteiro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Enigma



Eu tive um sonho estranho
Sonhei pela primeira vez contigo.
Era um sonho diferente de todos os outros
Nele pude abrir os olhos e ir ao teu encontro.
Eu te enxerguei romântico e real
Esperando por mim... 
Então me aproximei
Mas a cada passo meu
Te via mais distante e
E diferente de tudo o que procurava.
Surpreendentemente te vi
Testando a minha força
Com os enigmas mais absurdos e covardes.
Até que eu percebesse
Que esse tipo de sonho
São para os infelizes
Não para mim!


Aline Monteiro
           

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vende-se Poesia




Força abstrata de imensa magia
Com mais de 3.000 anos de existência
Validade para além morte
Para além vida
Para além sonhos

Vende-se Poesia

Seus donos antigos?
Cecília, Quintana, Pessoa
Florbela, Vinícius, Leminski
Eu, você, Tatiana, André, Joana...
Sem hierarquia

Aluga-se Poesia

De quê que tem?
Há tristes, estranhos, felizes
Tercetos, quadrinhas, sonetos...
Sobre o mundo, o abstrato, o profundo
Um pouco de mim, um pouco do José
Sem dinastia

Empresta-se Poesia

Pra quê serve?
Para dizer, ouvir, tecer
Estremecer, entristecer, esvaecer
Erguer, vencer, entender
Morrer
Sem nenhuma demasia

Doa-se Poesia!


Aline Monteiro

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Poema Inacabado




Eu apenas te dei as costas
Mas te disse adeus bem devagar...

E o tempo não parou
Tão pouco andou devagar...

Eu pensei que esse amor
Não tivesse força o suficiente
Pra parar o tempo.

Mas pra gente o tempo parou
Ele andou devagar...

Ele só não voltou atrás
Pra reparar os erros
E dar às horas o que  faltou...

O tempo ainda espera ansioso
Pra nos ver sorrir
Pra nos ver parados no tempo...

Aline Monteiro

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oui, Je Peux!



Avant tout était étrange
Tout était nouveau pour moi
Avant il y avait un grand pont
Que j'avais de la peur de le traverser
Mais j'étais sûr de le passer.

Je voudrais connaître l'inconnu
Sans le devoir du faire.
Avec la vonlonté de qui
Jamais a triomphé.

Quand j'ai arrivé à la fin du chemin
Peu a peu l'obscurité a disparu
J'ai ouvert les yeux
J'ai découvert un monde nouveau
Et j'ai été plus proche de qui a été
Différent de moi.

Alors, je sais
Que je peux aller plus loin
Si je le veux
Et que nous sommes égaux
Parce que nous ont des differences.

Aline Monteiro

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quando Eu Fui Embora




Quando eu fui embora
Deixei para trás tudo
O que me lembrava a gente...
Os lugares, as músicas...
E até as pessoas...

Elas não entenderam
Que mesmo eu indo embora
Não deixei de respirar,
De sentir e de lembrar...

Não precisei dizer nada...
E meus olhos entristeceram por si próprios
Sem comando algum eles me entregavam
Sinceros e reveladores.

Aline Monteiro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vitrine




A noite é calma, silenciosa...
Arrisco o autoconhecimento
Nada de estranho em mim
Mas alguns ainda insistem
Em saber quem sou eu.
Retorno ao que sou
E por um instante
Visto-me do que falam sobre mim.
Agora tudo é estranho
Perco-me em palavras,
Tropeço em letras.
Desconheço a minha própria voz...
Não preciso dizer mais nada
Eu não me reconheço mais...

Aline Monteiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

La Fenêtre




Il y a toujours quelqu'un qui veut parler avec toi
Laissez pour le moins une fenêtre ouverte
Parce que la dernière fois peut arriver
Dans quelque moment.

On dit au revoir tout le temps
Sans jamais penser que peut être
le dernier au revoir...

Quand on ferme les ports, les fenêtre
On ne peut pas voir les larmes cachés
On n'écoute pas le silence de qui veut crier
L'amour est tout simplement un mot oublié

Pour la vie qui fine
Pour la vie qui commence
Laissez pour le moins une fenêtre ouverte...

Aline Monteiro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carnaval




A tua vida é
Um imenso carnaval
Brilhando o ano inteiro.

A minha vida,
A louca espera
Pra te ver dançar.

...e me encantas assim
Ao me olhar paralisado.
 A fantasia permanece pelo
Tempo de uma música...

...e me enlouqueces
Quando de longe
me deixas apenas
Um sorriso teu
E a esperança
De viver mais um carnaval
A te esperar...

Aline Monteiro


Do que me adianta a força física,
A violência do tapa
Se por dentro somos mais frágeis
Que todas as nossas ações.
De que me adianta ter mãos
Se não pra tocar,
Quero reconhecer alguém pelo toque
Nada mais...
De que me adiantam os gritos
Se não ouço a minha própria voz.
O pulsar dos nossos corações é tão baixinho...
Que mal se percebe
Que ainda estão lá...

Aline Monteiro

sábado, 26 de dezembro de 2009

F E L I C I D A D E




É quando a gente não cansa de sorrir
É deixar os outros ficarem felizes pela gente
É chorar estando feliz
É abraçar, beijar e dizer obrigado
É ouvir, cantar e gritar
É sentir tudo ao mesmo tempo.
Felicidade
É batalhar por aquilo que a gente sonha
É acordar cedo, dormir tarde
Abrir mão do tempo livre
Deixar de fazer o que a gente gosta
E, às vezes, fazer o que a gente não gosta.
Felicidade
É também sentir tristeza, insegurança, fraqueza
E continuar assim mesmo...
É duvidar da nossa própria capacidade
E não se sentir superior a ninguém.
Felicidade
É superar nossos limites
E se surpreender com nossa força...
Felicidade
É arriscar mesmo tendo medo de errar
Felicidade
É a ansiedade...
Felicidade
É a demora...
Felicidade
É a certeza...
Felicidade
É se sujar dos pés à cabeça
e não se importar com isso...
Felicidade
É no final de tudo poder gritar:
Eu consegui!

Aline Monteiro

Para Caroline Larissa Mesquita, caloura UNIFAP 2010 - português inglês

domingo, 20 de dezembro de 2009




Que tristeza não ler um poema

E saber que ele existe

Um fio de esperança se desfaz

As luzes se apagam...

Deixar de acreditar

É voltar um degrau

É morrer um pouco

A cada dia...

Promessas são meras palavras

Guardadas no peito de quem ouviu

Distorcidas por quem as mentiu.

Difícil demais ser quem realmente

Se é?



Aline Monteiro

domingo, 6 de dezembro de 2009

Cartas ao Chão



Abri o livro que encurta a memória

Um livro sem capa e contracapa.
O amanhã que desenho a lápis

Logo me encarrego de apagar

Com as próprias mãos, é verdade

Mas se não sou eu

Quem o faria?

Se eu não lembrar o que fiz

Sei que ninguém lembrará.

Não sou a forma a me adaptar ao meio

Eu me moldo às formas que aprendi

Que vi e repeti.

Sou o contorno a me repelir do inimigo

A me esquivar do perigo.

E me entrego às minhas próprias armadilhas...

Penso uma vez, penso outra vez e me atiro

Sem que nada me prenda.

Não vejo coragem em dizer não

Vejo sobrevivência!

Se alguns poucos param

E me lêem

Talvez ninguém entenda!

Deixo passar porque

Nem sempre tenho um plano B.

Nem sempre há o que dizer...

Nem sempre tudo vale à pena!

E tudo se volta ao sonho louco

De viver o que já passou

De viver o que ainda não existe!



Aline Monteiro


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Migalhas

 

Se forem, amor, migalhas que teimam em te oferecer
Peço que não as aceite!
Porque sem matar a tua fome logo se acabariam
Mesmo sabendo que a fome que tens
Surpreenderia o mundo.
Raros são os que conseguem saciá-la, ou pensam saciar.
Se forem migalhas, amor
Não aceite...
Porque sei que não te serviriam
Nem hoje, nem em um milhão de anos!
Diga que tua alma é nobre
Por não oferecer migalhas a ninguém
Grita que teu sonho é maior
Que qualquer pedaço de qualquer coisa!

Aline Monteiro


(Para my girl, a incompreendida, a insaciável!)


domingo, 1 de novembro de 2009



Às vezes, me pego repetindo palavras,
Reinventando sonhos,
Colorindo dores.

Escrevo páginas e páginas
E continuo com fome!


Aline Monteiro