terça-feira, 3 de agosto de 2010

Poetas, Anjos e Salões de Beleza



Não sei como começar.
Não sei o que escrever.
Seria clichê demais
Começar um poema
Como todos os outros
Porque este e justamente este
É o poema dela.
E ela acredita nas minhas palavras
Soltas e livres, que insisto em
Prender em versos que
Por sua vez então presos
Em poemas.
E ela?
Insiste em libertá-los!
Talvez pelo medo de se
Prender em alguém
Por isso ela se prende a algo.
Algo como um texto seu
Escrito na adolescência,
Um filme em preto e branco
Visto por várias e várias vezes
Todas elas em êxtase!
Ou talvez a uma foto antiga
Que se apaga pouco a pouco
Com o tempo.
Ou ainda um bibelô
Coberto de poeira perdido
No quarto e esquecido
Em meio a tantas lembranças...
Suas lembranças...
Não as conheço. Nenhuma!
Mas sei que renascem
Da memória olfativa,
Invadem pensamentos,
Transportam a uma
Deliciosa nostalgia de infância
E vão embora...
Tão rápido quanto
Aquela chuva de verão
Ou o nascer ou o pôr-do-sol...
Mas rápido mesmo
É o tempo que falamos
Sobre a religião dos que
Ainda acreditam nela,
Sobre os pequenos
Príncipes que contam histórias,
Sobre os nossos heróis incomuns,
A complexidade do simples,
Sobre o temporal,
Sobre o pó de giz,
Sobre o nada...
Agora já sei como
Começar o poema.
Que tal do começo?
Mas creio que começar pelo
Começo é me aproximar do fim
Pois ainda a vejo
Como sempre foi.
E a certeza de que
Nada mudará isto
Me invade, me
Inunda uma gostosa
Sensação de felicidade
Porque eu sei que
Depois de TUDO
Ela ainda chegará
Como se nada tivesse
Acontecido...



Aline Monteiro

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Aqueles Versos



Sem intenção alguma
Rabisquei alguns versos
Tão escassos de novidade
Tão ausente de criatividade
Mas há neles muito
Do que quero dizer.


Tantos versos no mundo
Se assemelham a estes
Mas estes nasceram
Da minha dor...
Apenas estes...

Se olhas
São apenas versos
Se leres
Verás a minha vida...
Inteira.

 

Aline Monteiro

domingo, 25 de julho de 2010

Prisão


Acordei e não tive vontade de cantar...
Se soltares minhas mãos
Continuarei presa
À sensação de não poder fazer nada.
Não tenho muitas opções.
Onde está o botão reiniciar,
Jogar de novo?
As regras diziam
Que quem fica preso
É quem não sabe jogar,
É quem trapaceia.
Mas não é o que vejo
E não posso dizer nada...
Quem sempre vence
Não deveria vencer.
As regras do jogo mudam
E nada muda...


Aline Monteiro

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pedra



Às vezes, canso das flores.
Será que perdi a sensibilidade?
Eu as olho e não as vejo!
E mais uma vez lhes dou as costas.
Reparo então, nas pedras.
Admiro suas formas
Disformes!
A simplicidade de serem o que são...
A liberdade de não ter que
Ser igual a nada!
O dever de ser apenas pedra!
Piso em pedras o dia inteiro, elas sobrevivem...
As flores sem água e sol morrem rápido demais...

Aline Monteiro

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pó de Giz


Toca o sinal.
A sala em segundos se esvazia.
o silêncio enfim se deita sobre as mesas e cadeiras
Tristes e também vazias.

Enquanto isso, o pó de giz passeia
Vagarosamente pelo ar.
Inevitavelmente ele encontrará
O chão sujo e depredado.

Em pouco tempo o pó de giz
Irá se misturar à sujeira e
Perderá sua cor e leveza.

O dia se renova, ele sempre se reinventa.
E eu continuo a observar a mesma sala,
o memso vazio, a mesma tristeza...

Aline Monteiro

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Segredos



Entre todas as formas de se ver
Escolhi todas.
Sem pressa, quero te ler.
Demasiadamente devagar...
E se houver erros, que sejam conscientes,
Desprendidos de quaisquer desculpas,
De todas as culpas...
Não acredito em acertos,
Confio na minha vontade.
Nessa vontade estranha de te ver...
Detesto a ideia de recomeçar...
Que a ansiedade não ultrapasse etapas,
Que não planeje antes de tentar...
Detesto a palavra tentar,
Essa tragédia anunciada.
Que forma curiosa de gostar,
Um receio bizarro de te decepcionar,
Um medo que não me saibas ler...
E uma vontade louca
De me prender em ti...

Aline Monteiro

sábado, 29 de maio de 2010

7Vidas



Quero sentir minha solidão em paz,
Quero silêncio!
Ao ponto de ouvir minha respiração
E me encontrar em qualquer lugar que seja,
Em qualquer fantasia que insisti usar,
Que ousei vestir...
Às vezes, qualquer sopro de vento
muda a minha direção
E me deixa tão distante
de onde acreditei estar perto.
Quero silêncio...
Para descobrir qual a dor mais urgente
E talvez achar a cura.
As coisas que gosto ainda me tocam.
Me comovo com o vidro embaçado da chuva
Quase que consigo evitar a vontade
de desenhar no vidro.
Levanto a mão para apoiá-la contra o vidro,
Olho fixamente e apenas abro
Um pequeno espaço para ver a rua e os carros passando.
A minha decepção em pegar a chuva repentina
Não foi por me atrasar
Mas por não poder continuar me molhando...
Ainda penso em ir embora
Mas espero que alguém me peça pra ficar...
É tão pouco o que quero
Que dispensaria as flores.
Se entregar, às vezes, parece tão mais simples.
Quantas vidas ainda me restam?

Aline Monteiro

sábado, 24 de abril de 2010

Qui Je suis



Il y a quelqu'un qui dit
que je n'exite pas.
Par fois c'est vrais!

Parce que quand il explore
Mon fer, mon manganèse
Pour lui j'existe!

Quand il devaste
Ma bois, ma vegetation
Pour lui j'existe!

Quand il chasse
Mes oiseaux, mes poissons
Pour lui j'existe!

Mais quand je veux
Lui raconter mon histoire
Il ne m'écoute pas.

Quand je veux lui montrer
L'essence de mon âme
Il ne me voit pas.

Mais je sais que j'existe
Quand je sens la douce brise
Qui vient d'un rivière magique.

Je sais que j'existe
Quand jécoute les battues
d'anciens tambours...

je suis sûr que j'existe
Parce qu'un ce moment il y a
quelqu'un qui peut m'écouter ici!

Aline Monteiro

(para ver a tradução dos poemas em francês, clicar em "fantasias")




quarta-feira, 7 de abril de 2010


Medo?
Só do tempo...
Devorador de tudo,
Talvez de todos.
Um certo pavor
Do eterno demorar muito tempo
Ou não durar um segundo...

Aline Monteiro

segunda-feira, 22 de março de 2010

Percepções



Já aprendi
A não pedir desculpas
Quando não preciso.
Sem deixar de ser educada.

Renovo-me a cada manhã
Para viver transformações,
Passear em novidades.
Sem perder minha essência.

Já sei ler tudo
 O que não está escrito,
O que não foi dito.
Não leio mentes, leio emoções!

Entendi que perdoar
É dez mil vezes mais
Que duas ou três palavras.
Perdoar alguém é perdoar a si próprio.

Controlo a ansiedade.
Aprendi a respirar fundo
Para não errar de novo...
Nem sempre funciona.

Não me abato com coisas pequenas.
Adoro detalhes, sei do que gosto:
Um olhar, um beijinho jogado no ar,
Um sorrisinho teu...

Sei também do que não gosto:
Sentir medo, perder tempo,
Esperar explicações, explicação demais...
Ser desapontada, desapontar alguém...
Ser o que não sei ser, ser o que não sou.

Sei bem o que preciso fazer para estar bem:
Prestar atenção nos outros,
Cuidar da minha família,
Ligar para os amigos,
Amar-te sem medidas, nunca pela metade...
Cuidar um pouquinho do que eu como,
Tentar dormir cedo, amando a madrugada...

Sei muito bem do que não preciso:
Fazer o que não gosto,
Ir aonde não preciso ir,
Estar com quem não preciso estar,
Dizer o que não preciso dizer,
Sentir o que eu não sinto...

Já sei que não tenho muita coisa a dizer,
Mas preciso dizer o que eu sinto...

Aline Monteiro

sábado, 6 de março de 2010

Armadura



Se te pareço dura, às vezes,
Não é pra ser...
Simplesmente me defendo.
Às vezes até do que não preciso.
Mas o faço pra não perder o costume
Será que você me entende?
Não preciso que ninguém fale por mim
Muito menos que sinta o que eu sinto.
A menos que eu permita.

AlineMonteiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Asas



Hoje eu quero ter asas
Para ir além do longe
Não vou perder pra ninguém
Se hoje eu for embora...

Hoje eu quero perder a memória
Para me perder
Quero esquecer tudo o que ouvi
Hoje eu quero me dar uma chance!

Hoje eu quero ganhar
O que realmente mereço
Não quero restos
Hoje só quero o que é meu.

Hoje eu queria apenas voar
E ver as coisas do alto...
Queimando...
Mas eu ainda não tenho asas...

Aline Monteiro



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval II



De um lado é festa e encanto
Alegria que cega.
Na letra do samba sonhos distantes:
Glória ao passado e esperança ao futuro!
Do outro lado a fantasia é real
Sem disfarce!
A marchinha de uma
Palavra só se aprende
Desde pequeno:
Moeda, Moeda...
Em frente à TV
O carnaval me convida a fechar os olhos
Afinal de contas é carnaval!
Mas em meu ouvido ecoa
Um refrão inconveniente:
MOEDA! MOEDA!
Na quarta os restos de lixo na avenida
Ainda não viraram cinzas
A marchinha continua
A me pedir muito mais que moedas!

Aline Monteiro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Enigma



Eu tive um sonho estranho
Sonhei pela primeira vez contigo.
Era um sonho diferente de todos os outros
Nele pude abrir os olhos e ir ao teu encontro.
Eu te enxerguei romântico e real
Esperando por mim... 
Então me aproximei
Mas a cada passo meu
Te via mais distante e
E diferente de tudo o que procurava.
Surpreendentemente te vi
Testando a minha força
Com os enigmas mais absurdos e covardes.
Até que eu percebesse
Que esse tipo de sonho
São para os infelizes
Não para mim!


Aline Monteiro
           

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vende-se Poesia




Força abstrata de imensa magia
Com mais de 3.000 anos de existência
Validade para além morte
Para além vida
Para além sonhos

Vende-se Poesia

Seus donos antigos?
Cecília, Quintana, Pessoa
Florbela, Vinícius, Leminski
Eu, você, Tatiana, André, Joana...
Sem hierarquia

Aluga-se Poesia

De quê que tem?
Há tristes, estranhos, felizes
Tercetos, quadrinhas, sonetos...
Sobre o mundo, o abstrato, o profundo
Um pouco de mim, um pouco do José
Sem dinastia

Empresta-se Poesia

Pra quê serve?
Para dizer, ouvir, tecer
Estremecer, entristecer, esvaecer
Erguer, vencer, entender
Morrer
Sem nenhuma demasia

Doa-se Poesia!


Aline Monteiro

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Poema Inacabado




Eu apenas te dei as costas
Mas te disse adeus bem devagar...

E o tempo não parou
Tão pouco andou devagar...

Eu pensei que esse amor
Não tivesse força o suficiente
Pra parar o tempo.

Mas pra gente o tempo parou
Ele andou devagar...

Ele só não voltou atrás
Pra reparar os erros
E dar às horas o que  faltou...

O tempo ainda espera ansioso
Pra nos ver sorrir
Pra nos ver parados no tempo...

Aline Monteiro

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oui, Je Peux!



Avant tout était étrange
Tout était nouveau pour moi
Avant il y avait un grand pont
Que j'avais de la peur de le traverser
Mais j'étais sûr de le passer.

Je voudrais connaître l'inconnu
Sans le devoir du faire.
Avec la vonlonté de qui
Jamais a triomphé.

Quand j'ai arrivé à la fin du chemin
Peu a peu l'obscurité a disparu
J'ai ouvert les yeux
J'ai découvert un monde nouveau
Et j'ai été plus proche de qui a été
Différent de moi.

Alors, je sais
Que je peux aller plus loin
Si je le veux
Et que nous sommes égaux
Parce que nous ont des differences.

Aline Monteiro

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quando Eu Fui Embora




Quando eu fui embora
Deixei para trás tudo
O que me lembrava a gente...
Os lugares, as músicas...
E até as pessoas...

Elas não entenderam
Que mesmo eu indo embora
Não deixei de respirar,
De sentir e de lembrar...

Não precisei dizer nada...
E meus olhos entristeceram por si próprios
Sem comando algum eles me entregavam
Sinceros e reveladores.

Aline Monteiro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vitrine




A noite é calma, silenciosa...
Arrisco o autoconhecimento
Nada de estranho em mim
Mas alguns ainda insistem
Em saber quem sou eu.
Retorno ao que sou
E por um instante
Visto-me do que falam sobre mim.
Agora tudo é estranho
Perco-me em palavras,
Tropeço em letras.
Desconheço a minha própria voz...
Não preciso dizer mais nada
Eu não me reconheço mais...

Aline Monteiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

La Fenêtre




Il y a toujours quelqu'un qui veut parler avec toi
Laissez pour le moins une fenêtre ouverte
Parce que la dernière fois peut arriver
Dans quelque moment.

On dit au revoir tout le temps
Sans jamais penser que peut être
le dernier au revoir...

Quand on ferme les ports, les fenêtre
On ne peut pas voir les larmes cachés
On n'écoute pas le silence de qui veut crier
L'amour est tout simplement un mot oublié

Pour la vie qui fine
Pour la vie qui commence
Laissez pour le moins une fenêtre ouverte...

Aline Monteiro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carnaval




A tua vida é
Um imenso carnaval
Brilhando o ano inteiro.

A minha vida,
A louca espera
Pra te ver dançar.

...e me encantas assim
Ao me olhar paralisado.
 A fantasia permanece pelo
Tempo de uma música...

...e me enlouqueces
Quando de longe
me deixas apenas
Um sorriso teu
E a esperança
De viver mais um carnaval
A te esperar...

Aline Monteiro


Do que me adianta a força física,
A violência do tapa
Se por dentro somos mais frágeis
Que todas as nossas ações.
De que me adianta ter mãos
Se não pra tocar,
Quero reconhecer alguém pelo toque
Nada mais...
De que me adiantam os gritos
Se não ouço a minha própria voz.
O pulsar dos nossos corações é tão baixinho...
Que mal se percebe
Que ainda estão lá...

Aline Monteiro