terça-feira, 8 de março de 2011

Amor Platônico




Eu poderia te escrever mil poemas
Até que chegasse o dia
Em que te conheceria
Sem paredes
Sem vidros
Sem janelas
Até que minhas palavras
Todas se esgotassem.
Eu compreenderia a tua surpresa, o teu espanto.
Eu te entenderia se não acreditasses em nenhuma delas.
Eu te pediria perdão
Por não ter nada a dizer
Por acreditar que esse momento fora apenas um sonho.
Um sonho fora do meu domínio
Como minhas ações e gestos,
Minha respiração e
A palidez do meu rosto.
Estranhamente, te pediria que fosses embora
Para sempre!
E assim eu pudesse voltar a sonhar
O mesmo sonho, repetido em todas as noites
Em que cubro o teu corpo
Com todos os poemas que já te escrevi.


Aline Monteiro



Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você...
Onde estará o meu amor ?
Será que vela como eu ?
Será que chama como eu ?
Será que pergunta por mim ?
Onde estará o meu amor ?
Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...
Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor ?
(Onde estará o meu amor – Chico César)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Itinerário



Quando fores embora, amor
Saia em silêncio
Com passos leves, de anjo.
Segure o adeus,
Jamais bata a porta
Alardeando, assim, tua saída.
Saia e me deixe dormir
Até tarde,
Até o pôr-do-sol trazer a noite
E esta a madrugada.
Lá onde o sonho vive,
A vida arde,
Onde o desejo incendeia
O vazio do teu lugar
Onde nada cresceu,
Nada ficou...

 

Aline Monteiro

"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e pois ficava. Completo partiu."
Caio Fernando Abreu (O rato - Inventário do ir-remediável)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Foliã



Sobre o conforto da nossa amizade
O meu olhar voa perdido
Seguindo pensamentos soltos.
E de repente, tu me perguntas
O que eu tenho.
E eu te respondo:
- Eu não tenho nada.
São esses carnavais fantasiando
No meu peito é que me tem.



Aline Monteiro


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Teus Cabelos




Talvez eu me perdesse em teus cabelos
Só em teus cabelos...
Mas gostaria de, primeiramente olhá-los
Por longos e intermináveis minutos
Que eu não perderia tempo contando.
Repararia o tamanho dos fios
Distinguiria as cores
Imaginaria a textura, a maciez
Inventaria um perfume
Que minha certeza decretaria: é único!
E quando eu não suportasse mais
O desejo de tocá-los eu te pediria:
Deixa eu morar em teus cabelos?!
E se assim me permitisses
Como o descobridor do novo mundo
Eu te exploraria através dos teus cabelos
Tocaria fio a fio deles
Com a ponta dos meus dedos
Depois lentamente os entrelaçaria
Até o fundo dos teus pensamentos
Deslizando minhas mãos até a tua nuca
Para que delas fizesses teu divã
E repousasses teus anseios
E tudo mais que quisesses me dizer
Eu te ouviria
Em meu silencio mais sincero
E com toda a minha atenção
Sem que me pedisses
Eu te compreenderia...
Talvez eu me perdesse em teus cabelos
Só em teus cabelos...
 
Aline Monteiro




Abrigo



Há algum tempo que a paisagem não é a mesma
Foram inúmeras as chuvas
Que por aqui transbordaram
Os barquinhos de papel
A pescaria com linha de costura
As armadilhas na areia branca da construção
E era de repente que o sol surgia
Pontual, grandioso, absoluto
Dissipando o medo, secando o choro
A lama e o orvalho dos coqueiros
E do mato mais rasteiro
Que sonhasse em existir...
Sempre estive por aqui
Contando os dias de chuva
Assistindo aos dias de sol
Até perceber que meus olhos
Não eram mais os mesmos...



Aline Monteiro

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vicissitudes



... pediu tempo ao tempo
Queria organizar as coisas:
Chorar os choros guardados,
Recuperar velhas lembranças,

Sofrer suas dores internas,
Lamentar seus erros mais distantes,
Desejou sonhos antigos...
Como se ainda fosse aquela criança
Cansada de brincar o dia todo.
Uma criança saudosa dos pais,
Medrosa dos filmes de terror,
Uma criança cheia de solidão
Inventada pela tristeza
Não quista pela alegria
Que caminha sem parar
À procura de respostas
Nesse meu presente,
No meu instante,
No meu poema...
 
Aline Monteiro
 
 
"Eu tô cansado de sofrer,
Quero dançar sentir calor
E poder só olhar o universo em torno de você
Brilhando em vida, Sorrindo à toa
Só vibrando amor e paz
Vejo a Lua, lembro do sonho
Torço pra realizar
Sinto a noite, Penso em você
Lembro como é bom amar..."
 
(Sorri, sou rei - Natiruts)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Descompasso



Não sou tua.
Jamais serei tua.
Não me vejo em teus sonhos.
Em teus planos não há o meu nome.
Sinto as batidas do teu coração
Em descompaso com o meu.
É pedir demais querer viver do teu calor?
Teu olhar continua familiar
Tua boca, tuas mãos
Nariz, barriga, peito
Tua voz, tua risada
Teu andar, teu jeito...
O destino me arrancou de ti
Enquanto te esperava
Saíste por outra porta
Silenciosamente
Então, só meus olhos disseram adeus
Um adeus sem resposta, sem eco.
E os teus se despediam de tudo,
Menos de mim.
O meu amor ficou preso na garganta
Paralisado, conferindo teus passos
De longe...
Se é loucura te esperar?
Não sei...
Mas se os ventos amanhã
Soprarem em tua direção
Eu te esperarei.


Aline Monteiro

domingo, 2 de janeiro de 2011

Valei-me



Eu me pergunto se irei levantar amanhã...
A prece é pela vida
Tão curta, veloz, absurda.
Quem me dá a mão
Pode não ser o amigo,
Pode não ser o irmão
Às vezes coração não tem cara
Ajuda e cala, somente
E a face tão familiar, se desmonta,
Evapora antes que o fogo arda.
Quem merece a minha gratidão?
Olho para trás
As respostas se confundem
E quanto a mim?
Será que ainda mereço
O sol das tardes sem fim?
Como pode um segundo fazer a diferença?
Os fogos de artifício estão sobre a gente
Separando passado e presente.
E a minha prece é pela vida...


Aline Monteiro

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Meu


Hoje... Desejei a vida a dois.
Apenas eu e poucos pensamentos.
Nada de ordens, pedidos, conselhos,
Obrigações...
Hoje me revirei do avesso
E nada existia ali.
As vontades cessaram
Os sonhos estancaram
O desejo adormeceu... Profundamente.
Caminhar por muito tempo
De olhos fechados é perigoso
É correr o risco de não reconhecer os outros.
É correr o risco de não te reconhecerem.
Não há mais tempo para o medo
Não há mais tempo para dúvidas
Não há mais tempo para a respiração...
Aceitar-se não significa ser aceito
Ser aceito não significa aceitar-se.
Não há risco sem dano
Não há dano sem erros.


Aline Monteiro

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sinais



Sinais de despedida sempre existirão
Mas não os veremos

Porque nunca serão bem-vindos

E aquela despedida aconteceu assim...

Com cara de visita no domingo

Que o tempo improvisou pra gente

Arranjando um lugar improvável

Em um momento totalmente inesperado...

Os olhos úmidos eram de adeus

O segurar das mãos sem querer acabar

Também se despedia...

Já não havia culpados.

E os que disseram adeus, ainda entristecidos

Permaneceram com algumas lembranças,

Com todas as saudades

E incrivelmente mais fortes...


Aline Monteiro

Para quem muito trabalhou e se sacrificou por amor quando a alegria sempre vinha de graça...







sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A quem possa interessar



Sentir ódio é coisa grave
É mais trabalhoso do que amar
Por isso, cuidado!
Enquanto pensares em odiar alguém
Aquele que mais ama
Estará num canto largado
Mas se ainda assim
Preferires de mim o ódio
Espere sentado
Tenho muitos a quem amar...

 


Aline Monteiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tormenta



Em tempos difíceis o coração esmorece, parece querer parar de bater...
Mas não choro...
A dor física é mais aceitável, mais definida, com data e hora certas de partida e o choro vem na explosão, incontrolável...
A dor de dentro, parece sufocar, prende à garganta, se não explodir naquele momento, outro dia ela virá incansavelmente mais forte, persistente, exigindo lágrimas. Vem devastadora, querendo doer muito mais do que antes...
E se inevitavelmente choro é porque primeiro acreditei na vitória. Se uma outra saída se mostra possível, me antecipo e guardo o choro pra mais tarde, pra bem mais tarde... Me responsabilizando pelas conseqüências... Assumindo os erros... Reparando os danos... Evitando déjavus...
O choro reprimido incontestavelmente virá com gosto de derrota, uma derrota adiada, mas sem resquícios de arrependimentos, de ânsia de tentar, de apostar todas as fichas, de esgotar todas as chances enquanto não se ouvir o sinal de Game Over.
O choro antecipado parece ter gosto de entrega, de desistência, de fracasso...
Insisto em adiar o choro porque o gosto de se entregar pode ser mil vezes mais amargo do que o choro imediato mesmo que o primeiro seja conseqüência da derrota.
As oportunidades são preciosas, mas às vezes exigem preparo, maturidade...
Não tenho certeza de muitas coisas, na verdade não tenho certeza de nada!
Mas às vezes é bom acreditar que tudo tem seu tempo e principalmente tem suas razões de acontecerem...


Aline Monteiro

“Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar”

(Carlos Drummond de Andrade)


“Se puderes dançar pelo ar também as estrelas poderão te abraçar
não continue agarrada em tuas dores elas não sabem dançar”
(Marilina Ross)


Drummond também acumulava os choros e Marilina Ross de uma maneira simples colocava as dores em uma caixinha para que elas não a impedissem de dançar... Há momentos em que o riso é mais útil que uma lágrima e mesmo não sabendo dançar, posso ouvir uma canção alegre, revigorante que seduza, que me envolva, que me provoque... Prender-se a dores é correr o risco de que elas criem raízes e permaneçam para sempre em seu coração, fechando portas para outros sentimentos, outras emoções, alegrias e até mesmo novas dores... Que se erre o passo da dança, que não se perca tempo se lamentando por isso e que o tempo para o choro seja o mais breve possível... (Aline Monteiro)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Folha


Encontrei teu nome
Guardado em uma folha solta.
Encontrei teu nome e sobrenome
Escritos repetidas vezes
Na folha solta.
A folha solta guardara teu nome,
Teus abraços, teus beijos,
Guardara tua voz,
Teu sorriso, o teu olhar.
A folha solta não estava mais perdida,
Não estava mais solta.
Estava em minhas mãos
Enquanto escrevia este poema
Ao lado do teu nome guardado.

Aline Monteiro

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Presente de aniversário



Na hora do desejo
A dúvida soprou aos ouvidos:
-Tens certeza?
Os segundos para o pedido me apressavam:
- Vai! Rápido!
E a crença ainda reforçava:
- Pede com o coração se não não acontece!
Então num pensamento veloz
Fechei os olhos bem apertados e pedi:
- Quero amor e poesia!
...e meu desejo se realizou:
Ganhei sapatos de salto alto!

Aline Monteiro


(Para Cris)




terça-feira, 21 de setembro de 2010

Destino



A poesia me chamava,
Gritava pelo meu nome
E não havia nada que eu pudesse fazer
A não ser escrever, descrever, reescrever,
Tudo o que via.
A lua se vestia da noite
Para que eu a iluminasse em versos.
A chuva caia absurdamente forte
Para molhar as ruas
Que queimavam ao entardecer.
O vento suave e silencioso
Não soprava à toa.
Todas as noites estrelas desnudas
Me engoliam na imensidão escura.
E era a minha alma que se entregava
Insana e livre.
Sem regras, sem redomas
Sem medo.

 
Aline Monteiro

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

AVISO



Perigo!
Coração exposto!
Cuidado onde pisa, toca, olha, respira...
Atenção!
Sentimentos confusos a solta.
Recompensa: beijos mornos
de quem incendiou à toa!

Aline Monteiro

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Deserto


Há quem diga que deserto é solidão.
A ausência do outro nos isola.
Mas não há pior solidão
Quando rodeados de gente
 Ainda assim, nos sentimos vazios.
E nesse deserto da minha solidão
Caminho por horas sem parar
O corpo reclama
A sede é tanta
Que não consigo diferenciar
O real do imaginário
Mas qual foi o meu pecado?
Sonhar?
Acreditar?
Talvez tenha sido Tentar...
Parece loucura querer tocar o Oasis,
Matar a sede com o vento,
Refrescar-se com a areia
Mas por alguns minutos
Senti a minha sede se esvaindo
Como a gota de chuva
Que se evapora com
O calor do sol...



Aline Monteiro

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando setembro chegar...




...me lembrarei de formas, luzes e cores
Desenharei traços finos e delicados
Remontarei imagens, fotos e lembranças
Nada será inventado, omitido ou distorcido
Tudo estará em seu devido lugar:
O azul no sol
O amarelo no céu
O verde nas nuvens e
O branco nas folhas...
...e só então caminharei por entre sonhos...

Aline Monteiro

sábado, 7 de agosto de 2010

Primeiro Passo



Andei imaginando o futuro
E ele está todo inventado
De novidades.
Tem luzes fluorescentes,
Cores laváveis e cintilantes.
Brilham o dia todo,
Iluminam até as lembranças
Mais distantes
Mas é tão pequeno
Que sempre esqueço
Onde guardei...


Aline Monteiro